terça-feira, 13 de outubro de 2015

De como desenvolvi aversão ao estado de amar.

Certa vez me apaixonei por um homem que me feriu a boca num beijo.
Me apaixonei pela respiração junto a minha, pelo cheiro, pelo gosto, pelo sentir...
Fui apenas sentidos durante aquelas horas em que o tive o mais perto possível do meu corpo.
Foram as palavras, os olhos, o sorriso, um conjunto improvável de coisas que eu quis pra sempre ter daquele instante em diante. 
Foi como um sonho, e como fumaça, esvaiu-se. 
Essa paixão certa vez se transformou em dor, pura e simplesmente dor.
E o que doía?
Tudo.
Doeu saber que aquele homem jamais seria meu, que um outro homem o dominaria.
Que aquele homem nunca mais me beijaria novamente até ferir o outro canto da boca.
Que aquele homem sempre pensaria em alguém que não eu.
E eu...? Seria sombra,  apenas isso.
Meu tempo é pra ser sempre só; eu li certa vez que a felicidade não foi feita pra todos.
Com certeza não foi feita pra mim.
Pra mim o amor é só tortura, um querer inalcançável, inatingível, ilusório.
Me acostumei a não ter esse tipo de sentimento como prêmio por merecimento. 
Juntei com as outras abstinências que o meu corpo sempre se condiciona a suportar. 

Procuro outros mundos pra instaurar o meu caos,
mas na minha cabeça você não entra mais.

Um comentário:

bairrodapaz2010@gmail.com disse...

Fui picado pela suas palavras, garotinha.