quarta-feira, 21 de junho de 2017

Solstício de Inverno, cresce a noite.

Que contradição, o nascer do menino Deus, do manto azul e dourado, é o marco do início das noites mais longas. E frias. Quem diria?
Yule chega, menino-sol, ainda pequena chama pra aquecer nossa alma do frio que nos ronda, e maltrata, e aperta. O coração anda gelado, a alma, o corpo.
De fato nascer nos traz às dores, mas também às delícias de se viver.
Bem-vindo, Inverno.
Yule, sua luz ilumine as noites mais escuras e muito longas, amém.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Lua Rosa (11.04.2017)

Ela ontem esteve cheia, plena, iluminada e iluminando.
Ela ontem quis me dizer que ainda posso acreditar no amor e nas coisas inacreditáveis da vida e do Universo.
Uma que eu não sei acreditar sem ter provas irrefutáveis.
Outra que não confio em uma senhora que passa um quarto minguado, um quarto crescendo, um dia oculta e outro dia exposta ao máximo.
Ela não sabe me controlar, me conduzir, mas eu sou a maré que ela orienta em todas as fases.
Todas as minhas fases.
Nunca sei o que pedir quando Afrodite me concede um único desejo.
E acabo sem saber o que vou receber mesmo sem ter pedido nada.
Porque Ela sempre dá, mesmo que eu não peça. Ela sempre dá, mesmo que eu não mereça.
E com certeza, Lua Rosa, o que me trouxe foi melhor do que o que eu poderia pedir.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Um Saturno incomoda muita gente...

Estou, de novo, indo dormir esperando não acordar.
Estou, de novo, esperando das pessoas o que elas não são capazes de oferecer.
Estou, de novo, repetindo pra mim mesma não esperar reciprocidade, porque isso não existe.
Estou, de novo, lamentando o sentimento que dediquei e que não foi correspondido.
Estou, de novo, fazendo balanço de início de ano, e do que vejo até agora só tenho motivos pra não acreditar que vá ser melhor que o anterior, e que o anterior ao anterior.
Ainda não sinto a motivação de uma novidade, a virada do ano foi a mais apática que já vivenciei.
Nem quando passei de pijama assistindo TV senti que o tempo foi tão mal aproveitado. C'est la vie.
Mas foi diferente, o ambiente, as pessoas. O fim.
Não faz muito sentido relatar isso agora, mas quero deixar registrado que anos ímpares tendem a serem menos doces do que anos pares, pra mim.
Já escutei que preciso fazer/ser/pensar diferente, tentar coisas novas, mas tudo que me sugerem já é o que faço desde sempre. 
Antes, ser só era mais fácil, menos doloroso. 
Hoje, estar só e ter que me acostumar com isso é que tem sido doloroso.
Difícil dizer para as pessoas da sua vida que elas estão te abandonando, quando a impressão que você passa é de que você as está abandonando. E se abandonando.
Algumas pessoas tem me mostrado, sutilmente, que eu não devo incomodá-las com minhas questões de carência. 
Não precise de ninguém, mas esteja lá sempre que alguém precisar.
É essa relação de "não posso me comprometer" o tempo todo. E isso tem me cansado. de verdade.
Agora, com mais compreensão, eu entendo os motivos pra alguém desistir de viver.
Continuar é muito doloroso, às vezes. E às vezes nem é preciso, se você não suportar por mais tempo.
Preciso acreditar que há um motivo pra não morrer dormindo. Preciso acreditar que há um motivo pra eu aprender que as dores não vão se curar sozinhas, mas que eu vou ter que suportá-las sozinha a maior parte do trajeto.
Perceber-se "a última opção" não é fácil. Mas faz você crescer como ser humano. Como animal sentimental.

Mais um fim para monólogos sem nexo.
Não dá pra transcrever tudo que vem à cabeça...

sábado, 31 de dezembro de 2016

A gente tenta, mas...

Hoje é o último dia do ano.
Último dia de um ano que foi cheio de grandes mudanças, muitas perdas, poucas alegrias.
Chorei mais esse ano do que em minha vida inteira. De alegria, de tristeza. De dor.
Essas duas últimas semanas eu tenho sentido a solidão mais pura que existe: aquela de se estar rodeada de gente e ser cada vez mais só. Uma só.
Sempre recorri ao blog quando não tinha com quem conversar, mas dessa vez eu recorri a alguém que pudesse me ouvir. Que quisesse me ouvir. E quase não encontrei, nem sei se encontrei de fato.
Mas vamos lá.
Quero deixar aqui meu balanço de final de ano: foi uma merda, como eu tinha previsto no primeiro dia do ano.
De bom, teve a mudança de faculdade, as afirmações de amizades, uma viagem e um show histórico, pra guardar na memória.
Mas o que teve de ruim... Nem sei por onde começaria. Só as decepções, as expectativas frustradas, as pessoas que se aproximaram e que eu não deveria ter permitido... Olha, a lista é longa.
Então vamos tentar sobreviver à esse ano, à esse último dia. As horas agonizam, e mesmo assim ainda podemos ser surpreendidos por gestos que nos fazem ter esperança que o ano que virá será melhor.
Que venha com amor. Amém.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

21, o início do verão

Quando todas as palavras perdem o sentido, quando tudo perde um sentido e você não encontra palavras pra descrever o que sente.

Já fui muito boa nesta arte de escrever, ou pelo menos acreditava que era.
Hoje recebemos o Verão, mas como entender a falta do Sol no primeiro dia dessa estação tão solar?
Como acreditar que o calor irá derreter o inverno da alma que teima em permanecer? 
Se antes eu sentia as estações passarem no corpo, hoje eu vejo que o inverno vai durar mais um pouco dentro de mim.
Porque hoje eu sou só gelo. E dor. E uma série de decepções, minhas e de outros.
Não sei bem o que estou falando. 
Feliz Solstício de Verão.


domingo, 13 de novembro de 2016

Caixas, cobertores, xícaras.

Juntando os caquinhos do que restou de emocional em mim, visito cantos do meu quarto e da alma que abandonei ao relento e à poeira do tempo. A não metafórica. Tudo que toco nesse meu quarto me faz espirrar; o que toco na alma me faz chorar. Mas é um choro silencioso, contido, desses que você segura até doer a garganta, por não achar necessário ou por achar que é fraqueza.
No final acaba sendo tudo a mesma coisa: desnecessidade e fraqueza.
As coisas materiais com as quais não consegui lidar se acumularam em caixas de papelão, um punhado de memórias, momentos, encontros, términos, uma vida amontoada e desorganizada. Foi isso o que me tornei: acumuladora de caixas. Maior ainda é a bagunça na alma, os sentimentos desordenados, confusos, frágeis, deletérios...
Hoje em minha alma, existe um frio que de tanta dor que causa me faz querer chorar o tempo inteiro.
Espero pelo passar do frio, envolta num cobertor macio e acolhedor. No silêncio que me vejo imersa, enquanto aqueço o frio da alma, percebo que a cada gole de café da minha xícara de coruja eu preencho pequenos buracos deixados por sentimentos não correspondidos. Pelo deixar-se magoar, pelo desprezo despretensioso, pelo orgulho das pessoas amadas. Por tudo. Por mim. 
Porque eu não sou capaz de perceber a desumanidade das pessoas que eu permiti o encontro de jornada. Porque não compreendo que esse controle de quem chega, quem sai, quem fica, quem vai, quem leva e quem trás, não me compete. Porque eu não enxergo o que é melhor pra mim, que quem delimita essa importância não sou eu, e o que me cabe é me refazer quando o melhor é ser destruída e reduzida a pouco menos que um átomo. 
E não é estranho que até os átomos são importantes pra tudo que existe? Que eles são partes fundamentais sem os quais o todo de qualquer coisa no Universo não existiria?
Quantos buracos negros abertos em mim cada gole de café na minha xícara de coruja  irá conseguir preencher?
Por quê eu não sou capaz de me importar menos? 

Por quê? 


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Não espere.

Reciprocidade é um conceito bonito.
Empatia, também.
Mas não encontrei uma palavra para o sentimento de descoberta quando se percebe a falta deles no desfecho das relações.
Amizade deveria ser um conceito bonito, o mais bonito de todos. E é.
Mas nada define o que é perceber que se enganou com as intenções de pessoas que você devotou esse conceito puro e simples.
Nada dói mais do que perceber que se confiou nas pessoas erradas. Que não deveria confiar em ninguém.
Nada dói mais do que perceber que você nunca teve a amizade, a reciprocidade e a empatia de alguém que você amou.
Eu nunca tive o(a) amigo(a) que pensei que tinha.
Nunca estive tão só como me percebo agora.
Obrigada por externar o que realmente pensa.
Obrigada por me fazer perceber. E não esperar.

Macabeística*

Tenho escrito muito pouco, esse ano não foi dos mais produtivos, até porquê esse tem sido um ano bem parado.
Só que eu sinto as coisas com muito mais intensidade, por conta da imensa racionalidade, talvez. É tudo sempre descompensado, e na maior parte do tempo é doloroso esse sentir. São dores físicas, emocionais, sentimentais. Sufocam, eu às vezes choro, às vezes só consigo apagar num sono cansado, entorpecer a mente com meu pessimismo inato e afundar num estado de sono profundo. E sonho, e recebo os sinais, e ignoro-os quase sempre.
Sabe, não sei, não está sendo fácil continuar respirando. 
Eu até que consigo lidar com todo o resto, a rotina técnica, o labor, o estudar, é fácil, é sistemático, a gente simplesmente vai e faz, executa, com isso eu consigo lidar. Mas a subjetividade, que tantas vezes foi minha zona de conforto, tem se tornado um fardo nessa parte da jornada. 
As relações, as socializações, o "ter que" desse mundo de sentimentos não dotados de reciprocidade... Nossa, até escrever sobre isso me dói.
Essas convenções da humanidade, quem disse que precisava ser assim?
Tenho sentido essa dor e me acostumei, tenho seguido sem a Aspirina nossa de cada dia, seguindo alérgica aos unguentos das nossas dores diárias, e como boa covarde que sou, desisto do pulo no abismo pra continuar a autoflagelagem do viver. Ou do fingir viver.

“É melhor eu não falar em felicidade ou infelicidade – provoca aquela saudade desmaiada e lilás, aquele perfume de violetas, as águas geladas da maré mansa em espumas pela areia. Eu não quero provocar porque dói”.

*A Hora da Estrela_ Clarice L.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Meu equinócio: uma parte de mim que se vai.


Começa a estação mais linda, cheirosa, colorida e indecisa de todas: a primavera.
Ainda na contagem, lá vou eu estudar meus medos (os que ainda tenho), meus vícios, meus sonhos e meu crescimento. Meu florescimento.
Não lamento mais minhas escolhas, e isso tira um peso das costas e da consciência.
Não me cobro mais o que não sou capaz de oferecer, não me meto mais em brigas que não são minhas.
Então, chegando ao início de mais um ciclo, um meio ou um fim? 
Não sei, nem preciso saber agora. É primavera, e que Ostara me traga sementes.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jovem Velha

"Garotinha".
Eu odiava esse apelido. Odiava. Achava retardado, pejorativo, imbecil.
Me sentia rebaixada, sei lá, mais inferior do que eu já me sentia e era. 'Coisa de ensino médio', era mais fácil pensar assim e aceitar. Aceitei.
Com o passar do tempo, e muitos outros apelidos depois, sempre que ouço alguém me chamar de "garotinha" sinto um abraço afetivo, carinhoso, sincero.
Poucas pessoas me chamam assim hoje em dia, são raras e especiais, e sempre que o fazem ressaltam no jeito e no tom da voz que eu sou especial, não sou 'só mais uma little girl'.
Então tá mais que tarimbado, registrado, carimbado em minha alma: Garotinha.
Durante essa conclusão, eu recordei e senti saudade de uma garotinha insegura e destemida de alguns anos atrás. 

Daquela que não dançou a valsa dos 15 anos, que não teve festa de formatura do ensino médio, que pediu um violão à mãe de presente, que colecionava fitas k7 e revistas de música além dos papéis de carta e postais, que tinha RG falsificado pra poder ir ao cinema assistir filmes +18, que amava o pátio do Instituto Goethe, que tinha preguiça de alisar os cabelos, que já tinha lido todos os livros que o professor do 3º ano indicou pro vestibular muito antes da obrigação do vestibular... Que usava sempre um all star velho e sujo, que sempre trocava o caderno de cor, que não tinha medo de tomar chuva, que usava a calça mais larga e sem cinto, que tinha a camisa do colégio grafitada, que não admitia tortura medieval (vulgo depilação), que usava uma velha touca de crochê pra esconder os cabelos não penteados, que tinha coleção de brincos de miçanga, pulseira de linha... e que não gostava do apelido que as amigas colocaram, por não gostar do motivo do apelido.
Nossa, que saudades dela! 

Parece até que era outra pessoa, mas era eu, sou eu, essa garotinha que cresceu e que perdeu um pouco da leveza e do andar despreocupado em direção ao futuro, ou a lugar nenhum.
Tenho saudades, e às vezes me encontro com ela em segredo, mesmo quando todo mundo sabe que é ela e não eu. Essa "eu" de 30 anos que ainda atende pela alcunha de "Garotinha".